O tempo e eu

Bloco de notas, Reflexões
19/05/2016

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É provável, mas não é certeza, que tenho pela frente mais futuro do que passado. De qualquer maneira, sou grata por hoje, na dita “flor da idade”, poder ler o que Rubem Alves nos revelou, admirar esse ponto de luz e refletir sobre ele.

Esses dias li uma frase, do Chapeleiro de Alice, que diz assim: “se você conhecesse o Tempo tão bem quanto eu conheço, não falaria em gastá-lo como se fosse uma coisa. Ele é alguém.”

Eu sempre acreditei nisso. O tempo pode ficar profundamente magoado conosco, quando não lhe damos o devido valor. E que VALOR o Tempo tem!

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O TEMPO E AS JABUTICABAS – RUBEM ALVES

Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver
daqui para frente do que já vivi até agora.
Tenho mais passado do que futuro…

Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas…
As primeiras, ele chupou displicente… mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço…

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades…
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram,
cobiçando seus lugares, talentos e sorte.

Já não tenho tempo para conversas intermináveis…
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas que,
apesar da idade cronológica, são imaturas…

Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral…

As pessoas não debatem conteúdos… apenas os rótulos…
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos…
quero a essência… minha alma tem pressa…

Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços…
não se encanta com triunfos…
não se considera eleita antes da hora…
não foge de sua mortalidade..

Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade…

O essencial faz a vida valer a pena…
e para mim basta o essencial…

 

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Ilustração: pinterest

 

 

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Objetivo de vida – para quem quer fazer uma boa arte

Criatividade, Reflexões
02/05/2016

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Esses dias navegando pelo Facebook e com vontade de reclamar de tudo, comecei a refletir sobre meu tempo, meus objetivos e minha vontade de manifestar minhas ideias. Percebi que estava inconscientemente à deriva, não só nas redes sociais, mas também na vida, afinal de contas, eu já tenho objetivos! Ser uma escritora bem-sucedida, escrever muitos livros, crescer como ser humano entre outras coisas.

Cheguei à conclusão de que para realizar tudo isso eu preciso apenas de duas coisas: tempo e energia. Percebi que, lamentavelmente, estava desperdiçando tudo isso reclamando e discutindo. Oras bolas! Bolinhas e bolões…. Comecei a meditar a respeito e percebi que toda boa arte surgiu da inconformidade dos seus autores. Surgiu do desejo latente de manifestar algo que abordasse os temas e as experiências que essas pessoas queriam e precisavam tanto colocar para fora, mas ao invés de serem os “chatos do Facebook” (que a lista de amigos quase que inteira deixaria de segui-los), eles resolveram fazer uma boa arte!

Desde então fiz um pacto com minha artista interior. Desde então fortaleci a minha relação com ela, e nosso contrato de trabalho ganhou mais potência.
Parei de reclamar, parei de discutir e tenho canalizado toda essa energia em minha obra. Se agora ouço algo que me soa absurdo já não me chateio mais, trato logo de anotar para usar nos meus livros (temos ótimos discursos de vilões a nossa volta).
O artista é o inconformado que quis fazer mais que reclamar! Que quis fazer mais que discutir e enfiar a sua opinião na goela alheia, ele parou para meditar, elaborou um belo prato e ofereceu ao mundo, e o mundo, degustando cada ingrediente daquela saborosa receita, engoliu o que o artista queria oferecer e, quase que na maioria das vezes, pediu para repetir… Foi daí que surgiram J.K Rowling, Suzanne Collins, C. W. Lewis, Neil Gaiman, Paulo Coelho, Douglas Adams e tantos outros que nos contam muito mais que histórias! Que fazem mais que música e mostram mais que imagens!

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Se você parar para pensar, poderá perceber que o que chamamos de vida na verdade é um grande espetáculo, irreal, com o título irônico de: realidade. Os papéis de atuação de cada um estão à disposição para livre escolha.
Pergunte-se: qual é o meu personagem? Como quero ser lembrado? Por quem? Com qual motivo? Com qual argumento? Com qual objetivo? Absoluto ou relativo? Grandioso ou vulgar? A escolha do papel que lhe cabe é a maneira mais fácil de reconhecer o seu tamanho, o tamanho da sua obra, e consequentemente o tamanho da sua satisfação quando as luzes do espetáculo se apagarem. Será que você vai gostar da sua atuação? Aguentaria comer o prato que preparou?

Quero aproveitar essa temática para compartilhar com vocês um dos mais lindos discursos de um artista. Neil Gaiman! Um grande cara que poderia ser o cara mais chato do Facebook, mas virou um dos autores mais legais do mundo.
Ative a legenda em português

 

“Façam boa arte.
Eu estou falando sério. O marido fugiu com uma política(o)? Faça boa arte. Perna esmagada e depois devorada por uma jibóia mutante? Faça boa arte. IR te rastreando? Faça boa arte. Gato explodiu? Faça boa arte. Alguém na internet pensa que o que você faz é estúpido ou mau ou já foi feito antes? Faça boa arte. Provavelmente as coisas se resolverão de algum modo, e eventualmente o tempo levará a dor mais aguda, mas isso não importa. Faça apenas o que você faz de melhor. Faça boa arte.

Faça-a nos dias bons também.”
Neil Gaiman

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Créditos das ilustrações
Ilustração 01, 02: Pinterest

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Boas ações devem ser divulgadas!

Aleatoriedades, Reflexões
02/03/2016

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Essa semana eu estava navegando pelo Facebook quando vi a seguinte postagem da página “Razões para Acreditar”:

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”Ganhei dois ingressos do #‎Cinemark e entreguei para os garotos que participam do projeto assistirem um filme, sendo que um deles nunca tinha ido ao cinema.

Estava trabalhando e me mandaram uma mensagem dizendo que as pessoas da bilheteria não queriam trocar os ingressos por tickets para o filme, a garota do guichê alegava que a xerox do RG não era válida – em sessão de classificação livre – e o menino mais velho me mandou mensagem dizendo que achava que o motivo era o chinelo que o mais novo estava calçando.

Fechei o bar e vim para o shopping, no caminho pensei em comprar um tênis para o garoto e entrar no filme com ele -assim talvez ele entraria – mas também pensei que dessa forma mostraria pra ele que só tem valor quem tem COISAS.
Tirei meu tênis e vamos assistir o filme, eu descalço e ele de chinelos. Doa a quem doer !”
Post originalmente publicado pelo Guilherme Ferreira Souza

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Clique na imagem para ir para a postagem

Clique na imagem para ir para a postagem

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Fiquei curiosa para saber o desfecho dessa atitude incrível e fui até os comentários para saber se o autor da foto havia comentado algo falando se conseguiu ou não assistir o filme. Não encontrei mais nenhuma informação, mas me deparei com o seguinte comentário:

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Na hora me lembrei de uma situação que aconteceu comigo há mais ou menos uns dois anos atrás. Pelo Facebook, através de uma amiga, eu fiquei sabendo de uma família carente de São Paulo que estava passando por muita necessidade. O filho mais novo dessa família, um garoto de 6 anos, estava em tratamento para combater um câncer, por conta disso sua única distração era um vídeo game e uma TV que infelizmente tinham sido roubados por bandidos que invadiram a casa do garoto numa noite em que ele estava brincando com o irmão.

Esse relato me tocou muito e decidi ajudar. Eu queria que aquele garoto soubesse que existem pessoas boas no mundo, queria apagar aquela imagem do bandido entrando na casa e arrancando a TV e o game do quarto dele, eu queria que isso fosse substituído por um ato de bondade.

Conversei com alguns amigos e divulguei o caso na minha página pessoal. Recebi uma porção de doações! Roupas, eletrodomésticos, livros e até mesmo um videogame! Faltava a TV, e munida de muita certeza que conseguiria ajudar eu fui até a Fast Shop, contei o caso e o vendedor da loja me vendeu uma TV novinha que estava em exposição pelo preço de custo.

Ficamos muito felizes e fomos até a casa do garoto para entregar. Conhecemos a família dele, entregamos todas as doações e tiramos uma foto que postei na mesma hora nas minhas redes sociais.
Quando cheguei em casa vi uma mensagem inbox de uma amiga minha. Ela escreveu me parabenizando pela atitude e me dava um “conselho”: “cuidado com essas fotos que você posta fazendo caridade… As pessoas vão achar que você faz isso para aparecer e você sabe que a caridade deve ser anônima ou então é vaidade. “

Cara, isso nunca havia passado pela minha cabeça! Para mim era algo tão bonito e natural que eu jamais imaginaria que alguém poderia pensar assim. Mas é fato, muitos pensam assim! E é por isso que decidi escrever esse texto.

Que mundo é esse em que a gente tem que esconder nossos atos de bondade, gentileza e caridade? Que valores distorcidos são esses em que o bem deve ser feito às escondidas ou então será desvalorizado? Que crenças são essas de que um ato de bondade divulgado é vaidade e não um incentivo?

 

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Eu fui tentar entender o porquê disso e cheguei à conclusão de que as pessoas pensam assim pois infelizmente no nosso país é muito comum que políticos façam esse tipo de coisa para se promoverem e depois de promovidos acabam por mostrar quem realmente são: pessoas corruptas apenas buscando o seu benefício próprio.

Mas colega, eu PRE-CI-SO te dizer uma coisa: isso é minoria! A maioria das pessoas são boas. Todos os dias, milhões de pessoas fazem atos de bondade e caridade. Existem milhares de ongs e projetos, só no nosso país, sustentado por boa vontade de pessoas que trabalham em prol dos demais e que se suas ações forem divulgadas terão um alcance cada vez maior.

Quantos dias, meses ou anos a gente passa no automático sem nos lembrar de ajudar as pessoas? Temos tanta coisa para pensar que nos esquecemos de fazer caridade. E isso não é por maldade. É simplesmente porque temos muitos afazeres, sejam eles do trabalho, sejam eles domésticos ou relacionados aos nossos estudos e família… É por isso que acho importante, necessário e muito legal divulgarmos nossas ações de caridade. Às vezes é vendo a foto de um colega doando sangue que você se lembra da importância de doar sangue! Muitas vezes é vendo uma divulgação de um amigo, que você conhece um projeto social que pode confiar. É vendo esse tipo de compartilhamento que saímos do automático e que somos inspirados a fazer algo nesse sentido.

Não por acaso é no Natal que as ongs e projetos sociais recebem mais doações. Parece que nessa época do ano temos um tipo de “permissão” para divulgar nossos atos de bondade. Tudo isso inspirado no sentimento Cristão de fraternidade. Mas, porquê não fazer da nossa vida um eterno natal? Pense nisso.

Esqueça essa bobagem de que atos de bondade devem ser feito às escondidas como se fosse algo “fora da lei”, isso é uma contravenção quando se segue a lei do Amor!

Vá em frente

Vá em frente

E se um dia alguém lhe der aquele tipo de “conselho” que recebi, responda: sinceramente? Eu acredito que o mundo precisa mais de gente que quer aparecer fazendo o bem do que de críticos.

E aproveitando o espaço eu quero divulgar aqui cinco projetos super legais que conheço! Há diversas formas de ajudar cada um deles. Clique nas imagens para conhecê-los melhor:

Mais Atitude

Mais Atitude

Hai Africa

Hai Africa

Fundação Edmilson

Fundação Edmilson

C.O.T.I.C

proAnimal

Pró-Animal

Bora fazer essa rede do bem crescer?

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UPDATE 19/04/2016

Refletindo mais sobre o porquê de algumas pessoas terem tanto preconceito com quem compartilha suas boas ações, cheguei a outras duas conclusões:

  • É muito comum as pessoas confundirem as verdadeiras intenções por trás desse ato. Normalmente julgam que as pessoas estão esperando algo em troca, estão esperando ser ovacionadas ou algo do tipo. O que não é verdade na maioria dos casos. 
  • Há o julgamento distorcido de que a pessoa precisa exibir seu ato de bondade para provar sua ética, pois às escondidas não teria a mesma atitude. Ou seja, julgam que a ética da pessoa em questão é um verniz, apenas algo superficial sem profundidade.

Nos dois casos, e isso também vale para a vida, o que importa é a sua intenção e não o julgamento desnecessário dos outros. 

Seja Feliz! Acione hoje mesmo aquilo que você já reconhece como Belo, Justo e Bom.

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